Superliga 7 - Houve alma no Dragão!

FC Porto 2-1 Vitória de Setúbal 
Mais um jogo em casa, ainda sem o fantasma completamente exorcizado, depois de mais uma frustrante derrota fora. Esses condicionalismos notaram-se no pouco público que acorreu ao estádio (26541 adeptos é pouco para o que é habitual no Dragão) e nas faixas que as claques exibiram antes do apito inicial, pedindo mais alma e mística à equipa.
José Couceiro não teve medo de arriscar e mexeu na equipa. Deixou Seitaridis, bastante infeliz nos últimos jogos, no banco o colocou Bosingwa na direita. Face à lesão de Nuno Valente, optou por Leandro, um lateral muito mais ofensivo do que a alternativa Ricardo Costa. Continuou a apostar num meio campo que está a crescer, Costinha, até sair lesionado, cumpriu com a sua missão embora sem ser brilhante, Ibson é a revelação da temporada, um jogador fantástico que enche o campo, é já importantíssimo na manobra da equipa e Diego que está cada vez mais adaptado ao futebol português, mostrou-se ontem mais rápido, mais consciente a defender. Há que ter alguma calma, não se pode pedir a um jovem de 19 anos que carregue sozinho, na sua primeira época na Europa todo o futebol do Campeão Europeu.
Na ausência de Ivanildo, na selecção de sub-19, continuou a aposta nos jovens do clube (o que é muito positivo), colocando no onze Bruno Gama, e voltou a confiar a titularidade a Ricardo Quaresma. No ataque Postiga tem que jogar, está um ponta-de-lança muito confiante, irrequieto, a mostrar finalmente o seu valor.
Quanto ao jogo, a equipa entrou com vontade de mostrar que ainda não estava morta, que a época ainda não terminou e viram-se algumas boas iniciativas nos minutos iniciais.
Completamente contra a corrente do jogo o Vitória de Setúbal chegou ao golo, por Meyong, num lance em que no estádio fiquei com a clara sensação que o avançado sadino estava fora de jogo.
Pairou novamente o fantasma dos jogos em casa, a equipa enervou-se, o público voltou a assobiar...
Mas pela primeira vez em casa, esta época, notou-se garra no campeão. A equipa não se entregou, partiu para cima do adversário, procurando chegar ao golo. Encostou o Vitória de Setúbal à sua área e conseguiu marcar ainda antes do intervalo. Mais uma vez Postiga, mais uma vez a passe de Ricardo Quaresma. O empate antes do intervalo foi muito importante, tranquilizou a equipa e os adeptos, deixou ficar no ar a sensação de que o FC Porto poderia virar o resultado.
No início da segunda metade, Couceiro colocou Fabiano em campo, dando mais força ao ataque azul. Logo depois a lesão de Costinha fez entrar em campo Raúl Meireles e o ex-Boavista entrou muito bem no jogo, dando mais força ao meio-campo.
O Vitória de Setúbal não existia no ataque e adivinhava-se o golo do bi-campeão nacional. E que golo, Ibson que fez uma excelente exibição fez um passe que rasgou toda a defesa sadina e encontrou Quaresma que à saída de Moretto fez o golo e a reconciliação com os adeptos.
Até ao final, os dragões dispureram ainda de várias oportunidades, só Fabiano falhou três claríssimas. O brasileiro precisa de confiança, se marcar um golo num jogo próximo poderá explodir tal com fez Postiga. No entanto o campeonato está quase no fim e as oportunidades escasseiam.
Quanto ao Vitória de Setúbal ficou a sensação ideia que estaria já a pensar no jogo de terça-feira com o Boavista para a Taça de Portugal, competiçáo onde os sadinos apostam forte. Só assim se explica, por exemplo o facto de Jorginho ter ficado no banco todo o encontro.
É difícil escolher o melhor em campo, sendo que a escolha terá de passar por três nomes: Ibson, pelo dinamismo que dá ao jogo dos azuis, Quaresma, irrequito como há muito não se via, ofereceu o golo a Postiga e marcou o da vitória e o próprio Postiga que marcou um golo e ficou perto de marcar em mais ocasiões, é o ponta-de-lança que os dragões estavam a precisar, confiante, não tem medo de ter a bola e de rematar à baliza.
Houve alma no Dragão e mantém-se a esperança, reforçada pelo resultado do Benfica, que ainda é possível chegar mais perto do primeiro lugar.
Com este ritmo o campeonato pode mesmo decidir-se apenas na última jornada!
Filipe Queirós @ 10:50


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