Portugal carimba presença no Alemanha 2006

Portugal 2 - 1 Liechtenstein 
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Portugal garantiu ontem a presença no Mundial de 2006 que se vai realizar na Alemanha. Mas não conseguiu convencer, sentindo muitas dificuldades para vencer a frágil Selecção do Liechtenstein.
Entrando em campo com o magnífico apoio de um Estádio Municipal Mário Duarte em Aveiro lotado, a Selecção Nacional procurava superar o empate que tinha cedido no Liechtenstein, há um ano atrás. Um ponto bastava para garantir a qualificação, mas nenhum português queria o empate, exigia-se uma vitória gorda à equipa lusa.
A equipa entrou à procura do golo, mas notavam-se muitas diiculdades na construcção do jogo, esbarrando na defensiva do Liechtenstein. Notava-se a falta de Deco, visto que as constantes movimentações de Figo, Simão e Ronaldo não surtiam efeito e pareciam confundir mais o ataque português do que a defensiva visitante.
E foi nesta toada de ataque desorganizado português que surgiu o primeiro golo da partida para o... Liechtenstein. Num contra-ataque aparentemente inofensivo um enorme erro da defesa portuguesa com um desentendimento imperdoável a este nível entre Ricardo que saiu muito mal da baliza e Paulo Ferreira, a bola sobrou para Fischer que com a baliza aberta se limitou a encostar, gelando Aveiro e todos os portugueses.
Poucos minutos depois Portugal quase chegou ao golo mas o remate de Figo foi travado pela mão do defesa visitante. Grande penalidade clara e consequente expulsão que foram perdoadas pelo árbitro polaco. Assim Portugal recolheu aos baneários a perder.
Na segunda metade Scolari não mexeu na equipa e com três minutos apenas decorridos Cristiano Ronaldo ganhou a linha de fundo e cruzou para Pauleta cabecear para o golo do empate. Poucos minutos volvidos Pauleta é agarrado na área, Figo é chamado à conversão do castigo máximo mas atira por cima da baliza. Mais tarde Simão é empurrado por um adversário em plena grande área mas o árbitro volta a fazer vista grossa ao lance, nada assinalando.
Vendo a desinspiração do ataque luso Scolari opta por tentar conservar o empate em vez de perseguir a vitória, uma decisão inexplicável do Seleccionador nacional, completamente em desacordo com a diferença astronómica de qualidade entre as duas equipas. Assim, tirou Maniche e Simão e fez entrar Tiago e Hugo Viana. Portugal não passou a jogar melhor, bem pelo contrário, e foi mesmo o Liechtenstein que esteve perto de marcar de novo após mais uma terrível saída de Ricardo socando a bola para a frente. Valeu a Portugal um avançado adversário que impediu que a bola seguisse para a baliza.
Já com menos de dez minutos para o final Scolari resolve finalmente colocar em campo Nuno Gomes, para o lugar de Ronaldo. Dois minutos volvidos, aos 85' o jogador do Benfica recém-entrado marca o golo da vitória na sequência de um canto.
Portugal venceu mas esteve longe de convencer. Faltou muita coisa ao futebol português, a teimosia de Scolari em continuar a chamar jogadores em deficiente forma merece uma reflexão profunda, Ricardo esteve muito mal, Paulo Ferreira também está longe do seu melhor, Hugo Viana não convenceu nem nos últimos jogos dos sub-21... Algo tem que ser feito e Scolari tem que ver mais jogos de futebol, tem que estar muito mais atento aos jogadores seleccionáveis porque como o futebol português sabe muito bem e por experiência própria os nomes não ganham jogos nem campeonatos... E na Alemanha o grupo de Portugal não será, seguramente, de tão fraca qualidade como este em que Portugal se apurou.
Após uma semana em que se quis transformar este jogo na partida da vida de todos os jogadores portugueses, com Scolari a falar demasiadas vezes no empate e no ponto que faltava à nossa Selecção em vez de assumir que Portugal devia, tinha obrigação de ganhar e golear o seu adversário, o que se viu foi um jogo muito fraco de Portugal, sem ideias, acusando muito a falta de Deco e cometendo muitos erros.
A Selecção tinha obrigação de produzir muito mais, tinha obrigação de ter uma ambição muito maior, pois uma equipa que quer discutir a vitória numa competição como o Mundial, não pode ficar satisfeita com o empate perante o Liechtenstein.
Aquilo que é necessário mudar, para que Portugal seja efectivamente um grande do futrebol mundial é a mentalidade das pessoas. O que se passou ontem foi um exagero que quase roçou o ridiculo. Pareceu querer-se transformar esta qualificação num feriado nacional como se fosse algo impensável e inimaginável. Pelo contrário, deveria encarar-se este facto como algo natural, não foi um grande feito da Selecção, foi antes o cumprimento do seu dever, da sua obrigação.
Sim, porque Portugal tinha obrigação de se qualificar num grupo como este. Se as pessoas reconhecem (justamente) a grande qualidade da nossa Selecção não podem depois mostrar-se muito surpreendidas por Portugal ter conseguido este objectivo, perfeitamente ao seu alcance. Seria algo de extraordinário se Portugal não tivesse conseguido apurar-se e não o contrário.
Que se festeje sim, porque é um orgulho conseguir a presença na prova máxima da FIFA mas sem exageros, sem falsas surpresas porque se analisarmos as coisas friamente não foi um feito assim tão grande ter conseguido a qualificação antes da última jornada. Se nos lembrarmos da campanha realizada pela equipa das quinas facilmente concluimos que Portugal já deveria estar qualificado, não fosse o péssimo empate no Liechtenstein, ou o empate na Eslováquia, um mau resultado que demonstrou falta de ambição de Scolari e que foi transformado na imprensa num resultado excelente...
Por isso, para que sejamos de facto grandes temos que nos comportar como tal. Não me cabe na cabeça ver Portugal a festejar um apuramento como se da vitória no Mundial se tratasse, procurando apenas um empate com o Liechtenstein(!) e querendo passar a imagem que se tratou de um feito hercúleo conseguir o apuramento neste grupo claramente acessível. Temos que mudar a mentalidade portuguesa... Se não queremos ser tratados com um país do terceiro mundo do futebol não nos podemos comportar como tal, temos que assumir a nossa qualidade, o nosso favoritismo. Sem arrogância mas com plena consciência do nosso valor.
É mais difícl, não o discuto, pois cria muito mais pressão, pois torna-se muito mais difícil encarar depois um mau resultado no Mundial, mas é o que nos cumpre fazer, é isso que faz qualquer grande país do futebol mundial.
Assim, os parabéns a Portugal por esta qualificação, mas agora exige-se mais. Exige-se o assumir de toda a qualidade portuguesa e um bom resultado na Alemanha em 2006.
Fotos: Reuters e Getty Images


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