sexta-feira, agosto 24

Táctica da Bancada
Camacho por Santos... Timing certo?

Uma jornada volvida sobre o início da Liga e eis a primeira chicotada psicológica, e logo num grande, o Benfica, com a troca de Fernando Santos por José António Camacho.

O agora ex-treinador dos encarnados nunca foi um técnico muito querido para os lados da Luz. Desde a sua contratação que foram sendo levantadas, quase continuamente, críticas à sua prestação e dúvidas quanto às suas capacidades para dirigir o Benfica. A sua prestação nunca foi satisfatória para os adeptos, mas Luís Filipe Vieira sempre garantiu todo o apoio e confiança ao treinador.

Assim, é estranha a repentida perda de confiança em Fernando Santos, especialmente quando estava cumprida apenas uma jornada da Bwin Liga. O técnico dirigiu apenas dois jogos oficiais esta época, obtendo uma tremida vitória caseica diante do FC Copenhaga para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões e um decepcionante empate no Bessa diante do recém-promovido Leixões. Estes resultados, acompanhados das fracas exibições foram muito mal recebidos pelos adeptos encarnados e terão levado à perda da paciência dos dirigentes encarnados, que acertaram a rescisão do contrato com o técnico após o empate com a equipa de Matosinhos.

Se consigo compreender a opção da dispensa dos serviços de Fernando Santos, mais do que pelos maus resultados da equipa (o treinador defendeu-se dizendo que quem vence o Torneio do Guadiana, um jogo da Liga dos Campeões e cumpre o 22º jogo consecutivo sem perder na Liga não está à espera de sair), pela enorme pressão colocada por toda a massa adapta do Benfica que tornava as condições de trabalho de Fernando Santos cada vez mais precárias, parece-me, contudo, um péssimo timing para a troca de treinadores.

Na verdade Luís Filipe Vieira poderia fácilmente ter prescindido dos serviços do técnico no final da última temporada. O Benfica não ganhou qualquer competição, falhando o título e a taça de Portugal, objectivos do clube no início de qualquer temporada, falhou a qualificação directa para a Champions. Por si só, estes factos seriam mais do que suficientes para justificar a decisão de trocar de treinador para a nova época; se juntarmos a insatisfação dos adeptos (que não era muito menor no final da época transacta do que após os recentes resultados do Benfica), a decisão mais facilitada se tornaria.
No entanto, Vieira optou por continuar com o técnico, colocando-o na linha da frente na preparação do novo plantel. Contudo, ainda durante a pré-temporada a posição de Fernando Santos saiu fragilizada quando o clube não conseguiu segurar Miccoli e mais ainda quando vendeu Simão depois de Santos afirmar que perder o capitão seria um pesadelo. O plantel actual do Benfica, apesar de projectado por Fernando Santos, não era aquele que o técnico queria ter.

Assim, já depois do (algo atribulado, como se vê) arranque das competições oficiais e depois de duas exibições pobres há uma inflexão na posição da direcção encarnada e algo surpreendentemente Fernando Santos e o Benfica rescindem contrato e poucas horas depois José António Camacho é apresentado como novo treinador do Benfica.

Apesar da troca agradar, grosso modo, à nação benfiquista a verdade é que as verdadeiras consequências desta troca estão ainda para ser vistas. Como é usual dizer-se, a mudança é sempre uma faca de dois gumes, com pontos positivos e negativos. A expressão real dessa bipolaridade será vista nas próximas semanas. Mas para já o certo é que o Benfica " mais de um mês de pré-temporada, tem um novo treinador que perdeu"cai de páraquedas" num plantel que não desenhou. Se é verdade que há ainda com alguns dias de mercado aberto para alguns retoques eventualmente necessários, falta ver como aproveitará Camacho as contratações já efectuadas e verificar quais terão sido, eventualmente, desnecessárias.
A equipa vem das rotinas de Fernando Santos, trabalhadas durante toda a época passada e mais toda esta pré-temporada e terá, rápidamente, de absorver as filosofias de Camacho, o que com a competição a decorrer não será o mais desejável para uma equipa que tem jogos a doer, como a decisão da eliminatória da Champions, que tem a importancia (desportiva e financeira) que todos sabemos.

Tal como referi, só o tempo mostrará se na prática a decisão foi ou não bem tomada, mas o que salta à vista, desde já, é que o timing em que foi tomada é totalmete errado.
Súbita perda de fé nas capacidades de Fernando Santos? Ou terá o facto de estarmos a chegar a Setembro e Camacho ter vistos as portas do futebol espanhol (que, como é do conhecimento geral o treinador prefere ao português) fechadas que fez o técnico espanhol mudar de ideias e aceitar o projecto benfiquista?

Muitas perguntas ficam no ar, bem como a desconfiança quanto ao timing da mudança. Ficamos à espera do rolar da bola e o passar do tempo para descobrir as respostas!

Fotos: Google Image Search

PS: o post já se encontrava escrito e surge publicado apenas hoje devido ao processo de mudança de look do blog

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Filipe Queirós @ 11:03

domingo, março 4

Táctica da Bancada
Manchester United campeão anunciado?



Jornada 29 da Liga Inglesa... O Manchester United desloca-se a Liverpool, com o estádio completamente cheio a equipa de Rafa Benítez domina o jogo, está quase sempre por cima. O Liverpool ataca mais, cria mais perigo, Van der Sar brilha na baliza dos red devils. Wayne Rooney sofre uma entrada durissima de um adversário e sai lesionado, sangrando abundantemente de um joelho, Saha é derrubado na área mas o árbitro manda seguir, não marcando a correspondente grande-penalidade, Paul Scholes é expulso a escassos quatro minutos do final do encontro...

As coisas não parecem muito sorridentes para o lado da equipa de Manchester... Vem à cabeça o jogo da semana passada, ante o Fulham em que o United também não tinha jogado bem, tinha estado a perder, empatou, o Fulham poderia ter-se adiantado de novo no marcador, não o fez e aos 88' Ronaldo num lance de génio deu os três pontos à sua equipa. No entanto não parece possível acontecer novo "milagre", tudo aponta para uma pressão final fortissima do Liverpool e prevêem-se dificuldades de reacção para a turma de Fergusson.
Mas, já nos descontos, Finnan agarra Giggs. Livre lateral a favor do United. Ronaldo e Giggs combinam a marcação, é o português que remata com força, Saha não chega para o desvio mas Reina também não consegua agarrar e defende para a frente, O'Shea é mais rápido que toda a gente e chuta para a baliza. Golo do Manchester! A vitória já não foge, mais três pontos importantíssimos na luta pelo título! A estrelinha de campeão acompanhou, de novo, os red devils!



José Mourinho e o Chelsea depositavam grandes esperanças neste jogo, seria certamente uma das apostas dos blues para o United ceder pontos. Com o desenrolar do jogo as esperanças devem ter, certamente aumentado, para no final tudo cair por terra e o Manchester somar mais três pontos.
A carga psicológica de vitórias como estas é incrivel. Por um lado motiva a equipa que a consegue de uma forma fantástica (vejam-se os festejos efusivos dos jogadores do United após o apito final) e, por outro lado, são um duro golpe para a equipa que vai atrás e sabe que não depende só dela para chegar ao título, neste caso o Chelsea, de Mourinho.

Neste momento, e já depois da vitória dos blues ante o Portsmouth, o Man Utd é primeiro com 72 pontos. O Chelsea segundo com 63, mas menos um jogo. Se vencer o jogo em atraso, a equipa de Mourinho reduz para seis a diferença pontual, sabendo que à 34ª jornada receberá o United em Stamford Bridge.

O calendário do Chelsea, até à recepção ao Manchester, dita confrontos com Manchester City (fora, jogo em atraso da 28ª jornada),
Sheffield Utd (casa), Watford (fora), Tottenham (casa) e West Ham (fora).
Por sua vez o Manchester tem como adversários Bolton (casa), Blackburn (casa), Portsmouth (fora), Sheffield Utd (casa).
À primeira vista, o calendário do United parece mais fácil, com mais jogos em casa e apenas uma deslocação. Já para o Chelsea o confronto mais dificil prevê-se que seja a deslocação ao terreno do City.

Se atendermos às casas de apostas, o mais natural será que as duas equipas cheguem à 34ª Jornada separadas por seis pontos. E se assim for o jogo de Stamford Bridge será uma das chaves para decidir o campeonato. Se o United ganhar e aumentar para nove os pontos de vantagem, então, a quatro jornadas do fim, será praticamente certa a conquista do título por Ronaldo e seus pares. Se, pelo contrário, for o Chelsea a vencer, reduzindo a desvantagem, o campeonato ficará ao rubro, mas ainda assim será necessário que o Manchester escorregue e que o Chelsea conquiste todos os pontos em disputa.

Vejamos novamente os calendários! O Chelsea defronta Newcastle (fora), Bolton (casa), Arsenal (fora) e Everton (casa).
Já o Mancherter bate-se com Middlesbrough (casa), Everton (fora), Manchester City (fora) e West Ham (casa).
Em teoria, serão ambos calendários algo complicados, com ambas as formações com deslocações difíceis, propícias à perda de pontos.

Assim, a chave de campeonato poderá estar mesmo no encontro entre Chelsea e Manchester e mais do que isso na diferença pontual à partida para esse jogo. Se o Chelsea chegar a esse jogo com seis pontos de desvantagem, ainda que o vença, parece-me muito complicado conseguir chegar ainda ao título.
Nas últimas jornadas tem-se registado uma pequna quebra de forma do United mas ainda assim, esse facto tem sido compensado com a tal estrelinha de campeão que pareceu acompanhar a equipa nas últimas jornadas.

Será então o Manchester o campeão anunciado em Inglaterra?!

A resposta, tal como qualquer outra que implique fazer futurologia em futebol, parece complicada! Ainda assim, pesados todos os factores parece que o Manchester United segue na rota do título e na minha oponião já ninguém conseguirá ir a tempo de desviar essa rota vitoriosa!

Fotos: Associated Press e AFP

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Filipe Queirós @ 11:19