Liga Portuguesa
FC Porto vence Sporting
O FC Porto venceu, no Dragão, o Sporting por uma bola a zero, num jogo muito disputado e com bons momentos de futebol.
Os treinadores acabaram por não lançar grandes surpresas nos onzes iniciais, destacando-se apenas a opção de Jesualdo Ferreira pela colocação de Lisandro no centro do ataque, com Tarik na ala. Já Paulo Bento utilizou o onze esperado.
O FC Porto entrou melhor no encontro e dominou por completo na primeira meia hora de jogo, com o tridente Assunção, Meireles e Lucho a superiorizar-se ao meio-campo leonino. Com o FC Porto com mais bola, pressionando mais à frente, perturbando a saída para o ataque do Sporting, o meio-campo dos dragões aparentemente em inferioridade numérica chegou para controlar o sector adversário, visto que a bola raramente chegava a Romagnoli e as movimentações ofensivas de Lucho e Meireles, que correram muito, davam muito trabalho a Moutinho e Izmailov.Sabendo da importância ofensiva de Bosingwa, Paulo Bento trocou os médios interiores, colocando Moutinho a cair na zona de acção do lateral portugês impedindo-o de subir pelo flanco como mais gosta. No entanto, o FC Porto respondeu com interessantes movimentações ofensivas de Fucile, aproveitando a menor aptência defensiva de Izmailov, combinando com Quaresma ou Tarik e criando dificuldades a Abel.
Foi o melhor período dos dragões na primeira metade, com Meireles a ficar perto de marcar e Quaresma a fazer tremer a barra de Stojkovic.
Por sua vez o Sporting tinha muitas dificuldades em libertar-se da teia montada pela pressão alta do meio-campo dos azuis e brancos, Romagnoli quase não tinha bola, Izmailov esteve muito apagado, Moutinho lutou muito mas raramente conseguiu fazer valer o seu jogo, sobrando Miguel Veloso, o melhor jogador dos leões, que foi sempre o primeiro a tentar lançar o ataque, demonstrando uma maturidade e classe estraordinárias. Na frente Derlei e Liedson não se libertaram da marcação quase perfeita dos centrais do FC Porto.
E, tal como previa na antevisão a este jogo, a batalha do meio-campo, a luta pelo domínio das operações foi a chave do encontro, permitindo ao FC Porto ser quase sempre mais perigoso e controlar o jogo.
Na segunda metade o Sporting entrou melhor, sem conseguir, ainda assim, dominar o encontro. Jesualdo sacrificou Tarik, já desgastado, e colocou Postiga no meio dos centrais leoninos numa posição onde Lisandro não se adaptou pela sua estatura, que não lhe permitiu ganhar bolas de cabeça, e pela sua elevada mobilidade que fez com que os dragões quase nunca tivessem uma referência na área. Com a entrada de Postiga e a passagem de Lisandro para a ala o rendimento do argentino cresceu, sendo muito mais perigoso, especialmente nas diagonais para o centro, onde Postiga lutava muito e "prendia" os centrais permitindo as entradas quer de Lisandro quer dos médios.
O jogo acabou por ser decidido num livre indirecto dentro da área, castigando um erro de Stojkovic, que agorrou uma bola atrasada por Polga. No estádio o lance pareceu-me claro (e nem foi muito protestado pelos responsáveis do Sporting), Postiga recebe mal a bola que fica no raio de acção de Polga. O central verde e branco tem oportunidade até de ficar com a bola controlada mas opta por a atrasar para Tonel que a deixa passar para Stojkovic. Parece-me clara a intenção de endossar a bola ao companheiro, que originalmente seria Tonel, mas com a simulação do central passou a ser o guardião sérvio. Stojkovic com muito tempo para definir o lance hesitou, deixou que Postiga o pressionasse e agarrou a bola, livre indirecto claro.Na execução Lucho foi genial, iludindo toda a gente que esperava o remate de Quaresma (até o próprio número 7 dos dragões foi surpreendido!), tocando para Raúl Meireles rematar para o fundo das redes.
Após o golo começou verdadeiramente o jogo dos bancos. O primeiro a mexer (depois do golo, visto que Postiga já tinha entrado ao intervalo) foi Paulo Bento com a troca de Izmailov por Vukcevic, sem alterações tácticas, optando apenas por colocar um jogador fresco no lugar do desinspirado russo. Respondeu Jesualdo com a troca do esgotado Meireles por Mariano Gonzalez, tentando aproveitar o natural adiantamento dos leões, tentando explorar o contra-ataque. A alteração acabou por não surtir muito efeito visto que o forcing dos leões foi muito forte e encostou o FC Porto à sua defesa.
Dez minutos depois, Paulo Bento mostra que queria mesmo vencer o jogo e retira os dois laterais, colocando Pereirinha e Djaló. O Sporting passou a jogar apenas com três defesas, recuando Miguel Veloso, colocando Pereirinha no seu lugar e lançando Djaló no apoio a Liedson e Derlei. Os leões forçavam no ataque mas Jesulado leu bem o jogo, respondendo com a colocação de Bolatti para travar o ímpeto dos visitantes, retirando Lisandro.
No final, vitória justa daquela que foi a melhor equipa ao longo dos 90 minutos, conseguindo capitalizar um lance de bola parada de difícil transformação. O jogo acabou por ser, tal como se esperava, equilibrado e muito disputado a meio campo, mas emotivo e electrizante como qualquer clássico deve ser.
Destaques:+
Meio-Campo do FC Porto: o tridente Assunção/Meireles/Lucho esteve imperial com grandes exibições individuais dos três jogadores e acima de tudo uma importantíssima prestação de conjunto que permitiu ao FC Porto controlar o jogo no meio-campo e impôr-se ao perigoso losango de Paulo Bento.
Quaresma: apesar de não ter feito uma exibição do outro mundo é quase impossível não o destacar. Pega no jogo quando faltam soluções à equipa e quando coloca o seu talento ao serviço do conjunto, como fez por várias vezes com combinações excelentes com Fucile na ala, por exemplo, é um quebra-cabeças ainda maior para qualquer defesa. Voltou a assustar e a acertar no ferro da baliza de Stojkovic.
Miguel Veloso: o melhor do Sporting, a defender e a atacar. Mesmo quando foi deslocado para lateral esquerdo continuou a ser o principal alimentador dos ataques leoninos. Uma classe acima da média de um jogador fantástico.
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Stojkovic: um erro infantil do guardião sérvio acabou por ditar o resultado do encontro. Na dúvida, teve tempo para despachar a bola e não facilitar. Acabou também por não se mostrar muito seguro, parecendo acusar a pressão do encontro.
Romagnoli: completamente apagado, demasiado macio na árdua luta no meio-campo, foi anulado por Paulo Assunção. Não ajudou a defender como deveria e não conseguiu pegar no jogo no ataque. Passou ao lado do jogo.
Fotos: Associated Press
Etiquetas: Liga Portuguesa
Filipe Queirós @ 11:15


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