Liga Portuguesa
FC Porto sofre primeira derrota
Sabor amargo no último jogo do ano do campeão FC Porto. Na deslocação ao terreno do Nacional a equipa de Jesualdo Ferreira sofreu a primeira derrota na Liga e viu a vantagem na liderança voltar aos, ainda assim confortáveis, sete pontos.
Com as ausências de Quaresma (castigado) e Tarik (lesionado), previa-se dificuldades para os dragões no sempre complicado reduto do Nacional da Madeira. Olhando para o onze inicial e descobrindo que os substitutos dos dois alas ausentes seriam Mariano Gonzalez e Hélder Postiga mais preocupada terá ficado a maioria dos adeptos portistas. De facto, Mariano tarda a mostrar as qualidades que lhe eram atribuídas e é claramente um elemento descoordenado com a restante equipa, correndo muito, mas quase sempre mal, nunca encontrando a posição exacta onde actuar e nunca conseguindo ligar-se com os companheiros. Por sua vez, Postiga continua fora de forma e é, claramente, um jogar com níveis de confiança muito reduzidos. Se as coisas não começam, logo de início, a sair-lhe bem é o próprio Postiga que entra em rota de colisão consigo mesmo, desaparecendo do jogo ou intervindo de forma disparatada, como no lance que acabaria por resultar no único golo da partida, um grande golo de Lipatin.
Ainda assim o FC Porto esteve sempre por cima no jogo, com um controlo territorial quase natural e apesar de nunca criar flagrantes oportunidades de golo (Lisandro esteve desinspirado desta vez) mantinha as operações controladas, face a um Nacional muito pouco atrevido no ataque.
Contudo, o controlo do encontro não significou um futebol bem jogado, pelo contrário. Os dragões jogaram lento, sem imaginação, num futebol muito mastigado e previsível.
A opção táctica de Jesualdo de colocar Postiga como falso ala direito, encostando o avançado português a Lisandro e exigindo a Bosingwa que se ocupasse das despesas ofensivas do flanco, não resultou. Apesar do esforço de Bosingwa e algumas boas investidas suas pelo corredor, Postiga pareceu sempre perdido, acabando por não ser nunca um ala nem um segundo avançado. Acrescia a isto que a equipa não conseguia criar desiquilibrios pela outra ala, onde Mariano não era solução para romper a sólida defesa dos da casa.
Também o meio-campo não funcionou como em jogos anteriores, apesar do esforço de Lucho, o melhor de um sector em que Assunção cumpriu sem brilhantismo e Meireles esteve muito apagado.
Após a tal perda de bola infantil de Postiga que originou o golo adversário, Jesualdo recorreu ao banco para tentar mudar o rumo do encontro as nem Adriano, nem Leandro Lima e mais tarde já em desespero Kaz conseguiram alterar o resultado.
Na primeira vez que se apanhou a perder na Liga os dragões não mostraram argumentos para dar a volta ao resultado, notando-se uma clara falta de poderio de fogo no banco, constituído por jogadores que têm jogado muito pouco, com clara falta de ritmo e de confiança.
Notaram-se demasiado as ausências de Quaresma e Tarik, algo que não deveria acontecer numa equipa com a qualidade da do FC Porto. A verdade é que Jesualdo não tem feito a melhor gestão do plantel, não conseguindo motivar os jogadores menos utilizados e sofrendo as consequências quando recorre, por opção (como no jogo da Taça da Liga por exemplo) ou necessidade (como no jogo de ontem), aos jogadores que não fazem parte do núcleo duro dos 12 ou 13 atletas mais utilizados.
A pausa do fim do ano, que antecede também a reabertura do mercado, surge como a melhor conselheira para sanar estas deficiências na engrenagem da máquina azul e branca.
Ainda assim, não se pode dramatizar e não é uma derrota que irá fazer cair todos os elogios já feitos, com toda a justiça a este FC Porto. Apesar da derrota a vantagem no topo da Liga é de sete pontos para o segundo, os mesmos sete pontos que, depois do jogo da Luz, fizeram manchetes em quase todos os jornais como suficientes para "acabar com a discussão" do título.
O FC Porto terá, isso sim, que evitar facilitismos e faltas de concentração, optimizando os recursos de que dispõe, que são, quase todos, de qualidade muito acima da média, e encarar o próximo ano com um sorriso nos lábios, enfrentando de cabeça erguida os confrontos para a Liga, Taça de Portugal e Liga dos Campeões.
Destaques:+
Diego Benaglio: o guardião do Nacional foi o melhor jogador em campo. Apesar do FC Porto não ter sido muito incisivo no ataque a verdade é que criou alguns lances de perigo que Diego resolveu sempre bem, começando por aguentar o nulo e depois segurando a vantagem.
Bosingwa: um dos poucos com atitude. Foi o maior dinamizador do futebol a azul e branco no melhor período dos dragões.
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Mariano: não se compreende a insistência de Jesualdo na aposta no argentino. apesar de não ter sido um dos seus piores jogos com a camisola do FC Porto verdade é que o ala não esteve bem, sendo um elemento à margem da equipa.
Postiga: tal como Mariano não justificou a sua chamada à titularidade. Nunca se encontrou no jogo, aparentando sempre estar algo perdido em campo. Foi de uma perda de bola infantil sua que nasceu o único golo do encontro.
Lentidão do FC Porto: o meio-campo dos dragões nunca conseguir ser dinâmico e imprimir velocidade ao jogo. Perante um adversário tão fechado impunha-se outro tipo de jogo, muito mais rápido e criativo.
Foto: Associated Press
Etiquetas: Liga Portuguesa
Filipe Queirós @ 18:21


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